A GERAÇÃO ANSIOSA

Por que os adolescentes de hoje estão tão sobrecarregados?

Por Wenderson Beckister | Especial

Nos últimos anos, um fenômeno tem chamado atenção de especialistas, pais e educadores: o crescimento assustador da ansiedade entre adolescentes. Mas por que isso está acontecendo? O psicólogo social Jonathan Haidt mergulhou nessa questão em seu livro “A Geração Ansiosa: Como a infância hiperconectada está causando uma epidemia de transtornos mentais”, lançado em 2024 no Brasil.

O que ele descobriu é mais do que preocupante: a maneira como crescemos, vivemos e interagimos mudou tanto que nossa saúde mental não está conseguindo acompanhar o ritmo.

A adolescência da tela

Segundo Haidt, os jovens nascidos após 1995 fazem parte de uma geração que cresceu sob o domínio dos smartphones e das redes sociais. E isso está mudando tudo.

“A infância livre, com brincadeiras ao ar livre e interações cara a cara, foi substituída por uma infância de tela, vigilância e comparação constante”, alerta o autor.

Enquanto adolescentes do passado experimentavam o mundo físico com liberdade, a nova geração tem uma relação intensa com o mundo virtual — e isso está cobrando um preço alto.

Dados que assustam

A pesquisa traz números chocantes:

  • Nos Estados Unidos, o número de adolescentes que relatam sentimentos de tristeza e desesperança aumentou 48% entre 2009 e 2021, segundo o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças).
  • Entre as meninas adolescentes, as taxas de hospitalização por automutilação quase triplicaram entre 2009 e 2015.
  • No Brasil, um estudo da UFMG com apoio da OMS revelou que 1 em cada 4 adolescentes entre 13 e 17 anos apresenta sinais de ansiedade severa.
  • O tempo médio de uso de redes sociais entre jovens brasileiros ultrapassa 4 horas por dia.

Esses dados estão diretamente ligados à forma como os jovens estão crescendo: mais conectados, mais pressionados e menos preparados emocionalmente.

O que está por trás da ansiedade?

Segundo Jonathan Haidt, são quatro as principais causas da epidemia de ansiedade entre adolescentes:

1. Infância superprotegida

Pais mais ansiosos começaram a controlar cada passo dos filhos, reduzindo sua autonomia. Isso enfraquece a capacidade dos jovens de lidarem com frustrações e desafios.

2. Infância de tela

O tempo livre foi substituído por telas. Redes sociais, jogos online e vídeos curtos estão reprogramando o cérebro adolescente, afetando o sono, o foco e a autoestima.

3. Comparação constante

As redes sociais criaram um palco onde todos parecem mais bonitos, mais felizes e mais bem-sucedidos. Isso gera insegurança, baixa autoestima e sentimentos de inadequação.

4. Ambientes escolares tóxicos

A pressão por desempenho e a cultura do “cancelamento” em ambientes escolares e virtuais tornam a adolescência ainda mais desafiadora.

Como mudar isso?

Haidt defende mudanças estruturais na forma como educamos, cuidamos e nos relacionamos com os jovens. Algumas sugestões incluem:

  • Aumentar a idade mínima para uso de redes sociais para 16 anos.
  • Estimular o retorno das brincadeiras livres e do contato com a natureza.
  • Reduzir o uso de celulares nas escolas.
  • Ensinar habilidades socioemocionais desde cedo.

Ele alerta: se nada mudar, estaremos diante de uma geração cada vez mais medicada, ansiosa e emocionalmente frágil.

E o que você pode fazer?

Se você é adolescente e se identifica com esse cenário, não está sozinho. É importante:

  • Falar sobre o que sente com amigos, pais ou profissionais.
  • Praticar atividades que envolvam o mundo real: esportes, música, passeios.
  • Estabelecer limites saudáveis com o uso de redes sociais.
  • Procurar apoio psicológico quando necessário.

Um novo olhar sobre o futuro

A geração Z tem potencial para transformar o mundo. Mas antes disso, precisa cuidar de si mesma. Entender como chegamos até aqui é o primeiro passo para construir um futuro menos ansioso — e mais humano.

“A Geração Ansiosa” não é um livro pessimista. É um alerta — e um convite à mudança.”

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