Comportamento financeiro e endividamento jovem: quando a “diversão” vira dívida

Por que tantos jovens estão se enrolando com dinheiro por causa das apostas e compras por impulso? A resposta pode estar em algo que todos nós sentimos: a busca por prazer imediato.

Apostas: diversão ou cilada?

Quando se fala em “aposta esportiva”, muitos associam a ideia de diversão, algo leve, sem risco. Mas, como lembra a especialista em comportamento financeiro Ana Leoni, é aí que mora o perigo. Quando a diversão envolve dinheiro — e ainda por cima tem um potencial de vício — o risco deixa de ser invisível e passa a ter impacto direto no bolso e na vida.

“Precisamos deixar claro para os jovens as consequências reais dessas escolhas. Além disso, limitar ou até proibir publicidade de jogos, como já aconteceu com o cigarro, ajudaria a não estimular quem ainda não tem maturidade para medir riscos”, explica Ana Leoni.

Dopamina: o gatilho da impulsividade

Seja no clique para apostar ou naquela compra por impulso, o cérebro funciona do mesmo jeito: ele libera dopamina, o hormônio do prazer imediato.
A Geração Z, que cresceu num ambiente digital cheio de estímulos, é ainda mais vulnerável a essa lógica do “tudo para agora”. Resultado? Mais risco de cair em armadilhas financeiras.

“Se já é difícil para um adulto perceber a linha entre lazer e vício, imagine para um adolescente”, reforça a especialista.

Educação financeira faz diferença

A boa notícia é que educação financeira já faz parte da BNCC (Base Nacional Comum Curricular). Mas, como lembra Ana Leoni, ainda é cedo para ver resultados profundos.
Aprender cedo conceitos como risco, juros compostos e probabilidade pode fazer toda a diferença na hora de cair ou não na ilusão do “ganho fácil”.

Educação financeira não é sobre planilhas chatas: é sobre pensar antes de agir e perguntar a si mesmo: “isso faz sentido para mim?”.

Regras e limites: o “cinto de segurança” das apostas

Regular não significa proibir. Ana Leoni compara a regulamentação das apostas com o cinto de segurança no trânsito: não impede ninguém de dirigir, mas reduz danos em caso de acidente.
Isso significa:

  • Regras mais claras;
  • Publicidade menos apelativa (principalmente para jovens);
  • Ferramentas de autoexclusão e limites de apostas.

E quem já está endividado?

Se a dívida já chegou, o primeiro passo é reconhecer o problema. Ana Leoni recomenda:

  • Buscar outras fontes de prazer (esporte, projetos, olimpíadas de conhecimento como a OLITEF).
  • Mapear o tamanho da dívida.
  • Pedir apoio de familiares ou de uma rede de confiança.

“É um processo de reconstrução que exige disciplina e, principalmente, rede de apoio”, reforça.

Aposta do bem

Para fechar, Ana Leoni brinca: “Se tivesse que apostar R$100, você colocaria em educação, num projeto social ou para abrir um pequeno negócio?”
A resposta dela?
“Não apostaria em nenhuma, eu investiria em todas.”

Quem é Ana Leoni

  • Quase 30 anos de atuação no mercado financeiro.
  • Cofundadora da BEM Educação e CEO da Planejar.
  • Colunista do Valor Investe e comentarista da CBN.
  • Reconhecida pela Forbes como uma das mulheres mais influentes no setor.

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