Segundo especialista da Geekie, fortalecer as habilidades digitais é crucial para coibir o uso excessivo de dispositivos e assegurar um processo de aprendizagem eficiente
A Lei nº 15.100/2025, que restringe o uso de celulares nas escolas brasileiras, está em vigor desde janeiro. Apesar do maior controle exercido pelas escolas sobre o uso de dispositivos eletrônicos em sala de aula, vários jovens ainda os utilizam para atividades não previstas e encontram dificuldades para se desconectar — e, ao mesmo tempo, algumas instituições já apontam importantes impactos no dia a dia.
“O celular se tornou uma fonte de estímulos e recompensas, trazendo um ritmo acelerado de informações”, diz Bruno Alvarez, head de Ensino de Inovações da Geekie, principal solução de aprendizagem personalizada e ensino híbrido para o setor de educação básica baseada em inteligência de dados. “Notificações e conteúdos nas redes sociais liberam dopamina, neurotransmissor que reforça a busca por gratificação imediata. Além disso, o medo de perder algo importante, o Fomo (Fear Of Missing Out), leva o aluno a olhar para a tela sem parar”, completa.
O especialista ressalta que essa sobrecarga cognitiva pode levar à fadiga mental e impactar negativamente o aprendizado. “Quando a tecnologia é usada majoritariamente para fins de lazer e não para aprender, os prejuízos à concentração, à retenção de informações, à formação de memórias duradouras, à profundidade de compreensão e ao desempenho escolar são muito elevados”, explica.
Letramento digital
Após a implementação do novo decreto pelo governo, já é possível observar sinais positivos no ambiente escolar. Segundo Alvarez, há relatos de melhorias no foco dos estudantes, aumento nas interações presenciais e uma redução nos casos de cyberbullying. No entanto, o executivo ressalta que ainda há uma escassez de dados oficiais e levantamentos divulgados, reforçando a necessidade de as escolas manterem o foco na promoção do letramento digital.
“Os educadores podem ensinar os alunos a compreenderem como a tecnologia prende a atenção com os algoritmos, para que façam escolhas conscientes. Isso envolve análise crítica do conteúdo e do tempo de tela, além do desenvolvimento de habilidades de autorregulação digital. A chave é guiá-los para um uso produtivo e intencional dessas ferramentas”, afirma o executivo.
O head de Ensino de Inovações da Geekie ainda reforça que os pais e responsáveis precisam estar incluídos nessa jornada. “Em casa, é fundamental manter um diálogo aberto e sem julgamento com os jovens, para que eles se sintam parte do processo e desenvolvam senso de responsabilidade. Além disso, o envolvimento das famílias é essencial para estabelecer limites e incentivar momentos offline que promovam a interação e o bem-estar”, pontua.
Dicas extras
Algumas mudanças simples no dia a dia também podem ajudar os jovens a assumir um papel ativo no uso responsável do celular, como:
- Desativar notificações de aplicativos não essenciais durante o período escolar;
- Colocar o celular em modo avião ou “não perturbe” e guardá-lo em um local menos acessível (mochila, armário etc.);
- Monitorar o tempo de tela por meio das configurações e definir limites diários de uso para aplicativos específicos, inclusive com recompensas próprias por cumprir essas metas;
- Identificar os gatilhos que levam ao uso excessivo (tédio, ansiedade etc.) e buscar alternativas saudáveis (leitura, exercícios, hobbies etc.);
- Designar períodos de “desintoxicação digital” em casa, como algumas horas por dia ou um dia por semana sem o celular.
“Restringir o uso dos celulares nas escolas não basta; a desconexão é um desafio que exige um esforço consciente e estratégias inteligentes, por isso, todo o ecossistema de ensino precisa se unir para promover uma relação cada vez mais equilibrada e saudável dos estudantes com a tecnologia”, conclui Alvarez.